sexta-feira, 30 de setembro de 2016

ACABANDO COM O MITO QUE DANÇA DO VENTRE CRIA BARRIGA.

ACABANDO COM O MITO QUE DANÇA DO VENTRE CRIA BARRIGA.

Sempre, em algum momento de anos trabalhando com a dança do ventre contemporânea, o tribal fusion, tenho que responder a uma pergunta que resiste há décadas em relação a dança do ventre tradicional e que atinge também o estilo contemporâneo por isso: A Dança do Ventre dá barriga?
Este mito persegue todas as mulheres interessadas em praticar essa dança. É bastante comum ouvirmos a respeito da famosa “barriguinha que toda bailarina deve ter”. Em muitos casos, chega a gerar certo receio em iniciar a atividade .Principalmente em nossa atual cultura do corpo sarado e a crescente epidemia das academias. Ouve-se dizer, entre outras palavras, que o ato de praticar a Dança do Ventre provocaria "gordura localizada" na região do abdome. Mas como uma atividade física criaria um acúmulo de células adiposas (células que acumulam grande quantidade de gordura) na região abdominal?
Nos países do Oriente Médio - local de onde se originou esta dança -, os padrões de beleza natural,de  mulheres com uma estrutura corporal maior e quadris avantajados era normal. Quando a Dança do Ventre se espalhou por outros países, as mulheres que estavam acima do seu peso ideal sentiram-se mais à vontade para praticá-la. Talvez por esse motivo tenha surgido o mito.
A Dança do Ventre tradicional ou contemporânea ,pode ser classificada como uma ótima atividade física, pois traz inúmeros benefícios à saúde física e mental .  Sabemos que uma atividade física não poderia estimular um aumento de células que acumulam gordura. A dança do ventre não fica fora da regra, ao contrário ajuda a queimar a gordura da região abdominal. Apesar do nome, dança “do ventre”, ela trabalha o corpo inteiro. Diversos grupos musculares, articulações, tendões, além dos sistemas nervoso, cardiocirculatório e respiratório.  Analisando  a questão da respiração: quando executamos uma atividade física e usamos a respiração de forma correta, as células recebem maior oxigenação e queimam as toxinas do organismo, além de ajudar a eliminar as gorduras do nosso corpo. Em uma aula de dança do ventre, assim como qualquer atividade, é essencial que saibamos respirar corretamente durante a execução dos movimentos.  Junto com a respiração, encontramos um outro aliado para apagar este mito: a reeducação postural.  Alongar a coluna, encaixar o quadril ( alinhamento da pélvis) para mantê-la ereta, entre outras coisas... Geralmente não é só o ventre, mas geralmente costas, coluna, ombros (normalmente contraídos, em geral voltados para frente) e até a posição dos pés e joelhos não estão corretas na maioria das atividades que desempenhamos durante o dia; ao trabalhar, caminhar, a forma de sentar... O stress, o cansaço e a insônia são conseqüências dessas “falhas” diárias. O abdômen muitas vezes está relaxado e solto, quando o correto seria estar contraído, auxiliando na sustentação da coluna, deixando-a bem alinhada. Notamos que a famosa “barriguinha” nada mais é do que um deslize nosso. Nós somos responsáveis pelo nosso corpo e por nossa saúde. Devemos sempre analisar como estamos levando a vida. Criar hábitos de conduta saudáveis. Lembrar que a nossa alimentação é importante e que os maus hábitos alimentares só prejudicam nosso corpo. A tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal se deve, muitas vezes, a uma alimentação baseada na ansiedade. A postura mental de uma pessoa em desarmonia, no momento da refeição, gera no corpo, a necessidade de reter gordura para se proteger das adversidades que suas crenças alimentam. Uma outra postura mental bastante cultivada hoje em dia, é a idéia de que o ventre feminino deve ser como uma “tábua”. Isso é resultado de uma ação cultural dirigida pela “dita-dura da magreza”, que tem dominado o mercado de investimentos femininos.
A Dança do Ventre, assim como toda a atividade física, queima calorias: em média cerca de 300 calorias por hora de atividade. A movimentação corporal desta atividade ativa o Sistema Linfático, responsável pela desintoxicação do organismo. Este sistema, trabalhando bem, elimina de forma eficaz as toxinas, que se não forem eliminadas provocarão um acúmulo de gordura localizada em algumas partes do corpo. Um dado muito importante , que já citei ,é que a prática da Dança do Ventre exige e trabalha a postura de forma correta, trazendo benefícios para a postura da bailarina. É imprescindível o "encaixe" de quadril ( alinhamento da pélvis) para que os movimentos possam ser realizados corretamente. O quadril é muito utilizado nesta dança, sendo beneficiado por um fortalecimento da sua musculatura, promovendo um maior equilíbrio da estrutura corporal. Sabe-se que o quadril exerce uma função importante no corpo, é formado por músculos poderosos e bem equilibrados que, não somente movimentam os membros, como também ajudam a manter a posição do tronco. A bacia se equilibra sobre o quadril e o peso do corpo será recebido na bacia, sob duas formas: pelo sacro, que suporta o peso do esqueleto, e pelas asas ilíacas, que recebem uma parte do peso das vísceras. Uma das funções desta região é oferecer uma base estável para os membros superiores. A estrutura corporal trabalha harmoniosamente com uma boa estabilidade, que pode ser bem desenvolvida através dos movimentos de quadril.
Movimento correto, gera uma forma correta - Quanto a "barriga" em si,  se sabe que muitos casos de abdome mais saliente são originados por má postura, principalmente na região lombar, que provoca uma projeção do abdome para frente. Em casos de hiperlordose, isto também pode acontecer. Movimentos como o "oito maia", provenientes da dança do ventre ou o reverse taxeem do tribal fusion, são utilizados na cinesioterapia (tratamento realizado através de exercícios terapêuticos) para correções de hiperlordose. Portanto, esses movimentos, que as bailarinas tanto realizam, são conhecidos na Fisioterapia e ajudam em casos de abdome projetado por hiperlordose e má postura. Já os movimentos ondulatórios trabalham as articulações e os músculos mais profundos, fortalecendo-os. Contribuem também para a flexibilidade da coluna, que é beneficiada de forma terapêutica, até porque o músculo transverso do abdome - responsável pela estabilização lombar - é bastante exigido nesses movimentos. Além disso, a principal ação dos músculos abdominais tais como reto abdominal, transverso do abdome, oblíquo interno, oblíquo externo (músculo da cintura que cobre a parte inferior lateral do abdome, desde o reto abdominal até o grande dorsal) são a reflexão e a rotação do tronco, movimentos presentes na Dança do Ventre. Podemos concluir que toda musculatura abdominal é exigida e trabalhada na Dança do Ventre. Portanto, sua prática contribui para o fortalecimento desses músculos, auxiliando na prevenção da tão temida flacidez muscular. Ajuda também na prevenção do acúmulo de gordura localizada no abdome em função do exercício repetido dessa região. Mencionando as ondulações abdominais,  cada ondulação equivale a um exercício abdominal, acionando a musculatura para que trabalhe como nos movimentos de contração do parto. Isso fortalece a região, e, de forma alguma lhe aumenta o tamanho, pelo contrário, ela até diminui e levanta a musculatura flácida. As ondulações são especialmente indicadas no pós-parto, para mulheres que passaram por cesariana, pois elas aumentam a circulação sanguínea na região, revigorando os tecidos e auxiliando no combate à flacidez. Geralmente, o período de seis meses após a cirurgia é ideal para se começar a prática, em alguns casos, quatro meses após a cirurgia. É sempre importante consultar o médico.
Existem ainda dois tipos de ondulações que fortalecem diferentemente os músculos abdominais:
- Ondulação rool down: realizada de cima para baixo, fortalece o abdome superior;
- Ondulação roll up ou camelo da dança do ventre: realizada de baixo para cima, fortalece o abdome inferior.
As ondulações abdominais da Dança Oriental conferem um formato lírico e sensual ao ventre feminino. Portanto, desmente o mito popular que diz que Dança do Ventre “dá barriga”, muito pelo contrário, ela queima a gordura localizada na região abdominal, definindo sua musculatura. Outros dois detalhes interessantes a serem destacados são: cada ondulação feita com o ventre equivale a um abdominal e segundo: durante a dança, dissociamos nosso corpo da cintura para cima e da cintura para baixo. Devido aos exercícios durante as aulas, tenho alunas que prdem cintura em um mês. Esta perda de medidas rápidas faz destacar mais os quadris e a parte inferior do abdômen.
Fazendo também um abordagem sobre os shimmies e tremidos. Eles se constituem de estruturas de movimentos aeróbicos. Trabalharão a resistência muscular da região do quadril e coxas.
Uma outra estrutura de movimento largamente utilizada, e que modela o corpo feminino é o movimento oito. Os oitos definem a silhueta feminina tornando-a delgada e arredondada, diminuindo os excessos de gordura na região da cintura. Atuam como uma espécie de “massagem linfática” na cintura. Os oitos também trabalham as musculaturas laterais do abdome, e ajudam, especialmente a conferir à silhueta e abdome feminino, o formato sensual do “violão”.
São inúmeros movimentos, todos têm seus benefícios se executados com orientação e técnica adequadas, só praticando para verificar que isso é um fato e não um mito. movimento é vida, é qualidade de vida...
 Concluindo, a Dança do Ventre feita corretamente NÃO dá barriga. Pelo contrário, ela molda o seu corpo de uma forma bastante prazerosa. . Para praticar esta arte é necessário apenas ter ventre. Mas é importante destacar que precisamos realizar os movimentos corretamente com profissionais gabaritados, caso contrário, os problemas os quais poderão surgir serão muito maiores que apenas uma barriguinha mais saliente. Por exemplo: Quando você pratica a dança com o  bumbum para trás, acaba forçando a coluna. Esta postura errada causa dores lombares e facilita o acúmulo de gordura no baixo ventre. Então, é só seguir  regras e acertar o alinhamento pélvico que esse tipo de problema não acontece.
Assim quem acha que a dança do ventre contribui para o aumento da barriga,pode mudar de opinião. Posso afirmar: o que esta dança pode fazer por você é modelar o seu corpo, deixando-a com a "barriguinha" em forma de violão e afinando a sua cintura. As bailarinas de Dança do Ventre não são bailarinas só se já tiverem o corpo definido. A dança também vai definindo a musculatura com o tempo de prática!!! Quando vemos uma mulher fazendo dança do ventre, não se tem como tirar os olhos dela. É maravilhoso ver o corpo executando movimentos naturais e que a deixam ainda mais bela. Cada músculo, osso, pele e órgão se movem em harmonia para a dança e criam um clima de sedução e mistério. A mulher moderna, que faz uma intensa jornada de trabalho, pode relaxar, exercitar se cuidar deixar a feminilidade aflorar e é ai que consegue atingir a naturalidade, livrando-se do estresse e colocando as pressões do dia-a-dia bem longe de toda a delicadeza permitida ao universo forte e sensível das mulheres. Sendo assim são inúmeros os  benefícios que a dança oferece:
Desenvolve a dissociação corporal;
Estimula a memória, a concentração e a atenção;
Aumenta a confiança no seu potencial individual;
Resgata a feminilidade;
Ativa a circulação, aumenta os reflexos e alivia as tensões;
Aumenta a flexibilidade e alongamento;
Auxilia em problemas menstruais, hormonais e partos, diminuindo cólicas, equilibrando as funções sexuais e facilitando contrações e dilatações;
Trabalha músculos, enrijecendo e tonificando;
Atua diretamente no centro de energia do corpo, que se encontra no ventre, distribuindo a mesma de forma equilibrada;
Ajuda no emagrecimento;
Corrige a postura, conferindo elegância;
Modela os braços e ombros, dando contornos mais definidos;
Fortalece e enrijece o ventre, diminuindo a barriga;
Afina a cintura;
Endurece os músculos do quadril e glúteos;
Tonifica e desenvolve os músculos das pernas, principalmente as coxas e panturrilhas;
Pode queimar até 400 Kcal em uma hora de aula;
Melhora o ritmo, coordenação, equilíbrio e memória;
Melhora o condicionamento físico;
Melhora a auto-estima;
Trabalha energeticamente os chackras, que são importantes centros de força e energia;
Relaxa e traz bem estar emocional;
Traz desenvoltura e desinibição;
Estimula os órgãos reprodutores;
Melhora a circulação sanguínea geral do corpo.
Não se pode esquecer do tratamento interno da dança do ventre. Para as dançarinas, ela é um verdadeiro exercício de relaxamento e autoconhecimento, como nas demais técnicas orientais, como a yôga. Para as mulheres com distúrbios de sexualidade, é um santo remédio receitado pelos próprios ginecologistas.  Além disso, estimula contrações uterinas, o que alivia completamente as cólicas menstruais primárias. Os movimentos também dão uma boa regulada no aparelho intestinal. Muitas professoras relatam casos de alunas que conseguiram a gravidez tanto desejada, após começarem a praticar dança do ventre. A suspeita não é infundada.
Também, percepção corporal por meio da realização dos movimentos, desencadeia o processo de autoconhecimento, fazendo com que a praticante entenda suas limitações, descubra suas potencialidades, perceba o seu corpo e o mais importante: aprenda a gostar do que vê refletido no espelho! Quando isso acontece, a aluna começa a se sentir mais bonita e feminina, fica confiante e irradia felicidade e paz interior.
Sendo assim : o que esta dança pode fazer por você é modelar o seu corpo, deixando-a com a "barriguinha" em forma de violão e afinando a sua cintura com todos os outros benefícios. Entendendo que o mito é só mito mesmo, porque não dançar?????
                                                                                                                                     Rhada Naschpitz.




TRIBAL FUSION POR RHADA NASCHPITZ


A DANÇA TRIBAL FUSION OU FUSÃO ÉTNICO-CONTEMPORÂNEA
      A Dança Tribal Fusion ou Fusão Étnico-Contemporânea é um estilo de Dança do Ventre que surgiu na Califórnia -EUA em 1996 com a dançarina Jill Parker ( es-membro do FCBD, Cia da criadora do estilo American Tribal Style- ATS),e diretora do Ultra Gypsy. Onde são fusionadas diversas danças étnicas e contemporâneas como o flamenco, danças indianas, danças ciganas..Dança contemporânea...Possibilitando novos conceitos de movimentos, estética, expressão, e liberdade de estilo musical e próprio de cada dançarina(o). Seu nome Tribal, é oriundo dos estudos coreológicos de Carolena Nericcio Bohlman, diretora do FatChance Belly Dance- FCBD (São Francisco – EUA/1987) chamados no estilo original (American Tribal Style- ATS) de Improvisação Coordenada ,baseado na estética tribal apresentada por Jamila Salimpour e o grupo Bal Anat nos anos 70 em São Francisco - Califórnia, e os ensinamentos de sua professora Macha Archer, bailarina treinada por Jamila (São Francisco Classic Dance Troupe). A Improvisação Coordenada é um vocabulário fixo de movimentos e sinais, onde um vocabulário gestual com o qual as bailarinas comunicam os próximos passos a se executar durante a dança, exclui a necessidade de coreografias. O Tribal Fusion surgiu quando dançarinas do FatChance começaram a dar vazão de suas próprias idéias, acrescentando novas influências e abrindo o leque de possibilidades a partir do estilo original, como utilização de músicas ocidentais, coreografias, solos e trajes diferenciados. O Tribal Fusion é a fusão ou desconstrução do ATS com o que desejar.

     O Tribal Fusion possibilita ao dançarino incorporar na sua dança experiências únicas individuais e corporais, produzindo "novos" modos de expressão e percepção, tem autonomia para construir suas próprias particularidades coreográficas e tocar o público com aquilo que somente ele pode transmitir. Reafirma uma identidade sem perder as bases, as raízes técnicas e étnicas. O seu toque contemporâneo abre um arsenal de sistemas e métodos desenvolvidos da dança moderna e pós-moderna, que transcende a técnica específica que é característica da arte da dança. O corpo como é visto na dança contemporânea e suas técnicas somáticas e corporais, e de condicionamento físico, tornam o trabalho de conscientização corporal e do movimento necessidades existentes dentro do Tribal Fusion. Esse estilo também não reduz a dança apenas a repetições mecânicas do movimento só porque existe uma base (ATS - American Tribal Style).A transgressão das regras na desconstrução de gestos bases do ATS e de outras danças usadas na fusão, deixando o corpo fluir de acordo com os movimentos sentidos pela experiência técnica e expressão própria do artista, já enraizados na movimentação espontânea do corpo cênico, é o aditivo o fascínio da expressão livre a partir de uma técnica que pode ser descontruída mesmo existindo como base. Esse estilo foge as regras rígidas folclóricas e étnicas em rumo a inovação do contemporâneo. Uma arte em que passado ,presente e futuro se interagem, expressando livremente com bases e princípios que levam a meios, fins e infinitos. As Danças milenares adaptando-se as necessidades culturais moderna de forma contagiante.

                          Por  Rhada Naschpitz    /  rhadadarkdancer@gmail.com